Sim, este post se refere ao filme, porém, antes, deixem-me falar algumas coisas.
Faz um certo tempo que não posto, não que tenha me esquecido do blog, mas que estou muito atarefada com a faculdade e o trabalho, não me resta inspiração.
Minha mãe queimou as duas mãos segunda-feira, essa, que passou, fritando salgadinhos no óleo, na hora em que foi tirar, o salgadinho estourou, um estouro como o da uma pipoca, um horror, coitada, está cheia de bolhas, nas duas mãos, ainda bem que não tive aula, pude socorrê-la.
Voltando ao filme, bem, fui assistir, confesso que o trailer me deixou interessada, mas o filme, in voga, não é todo trailer, há coisas que fogem um pouco, ao estilo do filme, mas gostei do arranjo, o que mais gostei foi a interpretação de um texto, eis o texto, magnífico:
“Apurar, ó céus, pretendo, já que me tratais assim,
que crime cometi contra a vós outros,
nascendo; que, se nasci, já entendo
qual crime hei cometido:
bastante causa há servido vossa justiça e rigor,
pois que o crime maior do homem é ter nascido.
E só quisera saber, para apurar males meus
deixando de parte, ó céus, o delito de nascer,
em que vos pude ofender por me castigardes mais?
Não nasceram os demais? Pois se eles também nasceram,
que privilégios tiveram que eu não gozei jamais?
Nasce a ave, e com as graças que lhe dão beleza suma,
apenas é flor de pluma, ou ramalhete com asas,
quando as etéreas plagas corta com velocidade,
negando-se à piedade do ninho que deixa em calma:
só eu, que tenho mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce a fera e com a pele
que desenham manchas bela
apenas é signo de estrelas (graças ao douto pincel),
quando atrevida e cruel,
a humana necessidade lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto, tenho menos liberdade?
Nasce o peixe, e não respira,
aborto de ovas e lamas, e apenas baixel de escamas
por sobre as ondas se mira,
quando a toda a parte gira, num medir da imensidade
o’a tanta capacidade que lhe dá o centro frio:
só eu, com mais alvedrio, tenho menos liberdade?
Nasce o arroio,
uma cobra que entre as flores se desata,
a apenas, serpe de prata,
por entre as flores se desdobra, já, cantor, celebra a obra da natura em piedade
que lhe dá a majestade do campo aberto à descida:
só eu que tenho menos vida, tenho menos liberdade?
Em chegando a esta paixão um vulcão, um Etna feito,
quisera arrancar do peito Pedaços do coração que lei,
justiça, ou razão, nega aos homens- ó céu grave!
- privilégio tão suave, exceção tão principal,
que Deus a deu a um cristal, ao peixe, à fera, e a uma ave?
Bom, espero que tenham gostado, e até o próximo post!
Beijinhos! =***
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então assistí o filme e me encantei com esse texto. e entrei na net em busca de encontrar… o autor dessa obra!!!.